amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
Paulo Leminski
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sábado, 13 de junho de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Liberdade

"Segurar passarinho na concha meio fechada da mão é terrível, é como se tivesse os instantes trêmulos nas mãos. O passarinho espavorido bate desordenadamente milhares de asas e de repente se tem na mão semicerrada as asas finas debatendo-se e de repente se torna intolerável e abre-se depressa a mão para libertar a presa leve. Ou se entrega-o depressa ao dono para que ele lhe dê a maior liberdade relativa da gaiola. Pássaros - eu os quero nas árvores ou voando longe de minhas mãos. Talvez certo dia venham a ficar."
Por Clarice Lispector, em Água Viva.
...
É tudo o que penso sobre relacionamentos. Mostra minha necessidade de liberdade emocional.
"Tá se exibindo pra solidão".
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
São tristes esses tempos de palavra banalizada em que um "Eu te amo" é tão vazio, inexpressivo e comum quanto um "Me passa o pão?".
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domingo, 19 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Recado simplório
Após uma noite de wisky e discos de vinil, o Tudo deixou um bilhete na mesa de cabeceira do Nada. Era um recado simplório:
- Obrigada por não-existir. Sem você eu seria... hum... VOCÊ!
- Obrigada por não-existir. Sem você eu seria... hum... VOCÊ!
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Tea for two e um final feliz

Uma das minhas crônicas inacabadas, inspirada em uma música da Nara Leão de mesmo título.
Dez anos de sua vida dedicados àquele trabalho e, de repente, sem emprego. Sem emprego e sem ninguém para dizer “Boa noite!” quando chegasse em casa, ninguém para massagear-lhe os pés e oferecer-lhe sopa quente.
Sentado naquele pub há duas horas, ele pensava. Pensava no que faria dali em diante. Deveria procurar emprego. Pensava se havia pagado a conta de luz e se teria comida em casa. De repente, olhou para o café morno que a gorda garçonete acabara de lhe trazer. Observou a espuma e o modo como ela dançava enquanto ele dissolvia o açúcar. Sentiu o cheiro. Deteu-se nas bolhas de ar. Elas borbulhavam devagar, num ploft surdo. Seus pensamentos também borbulhavam.
Ficou ali absorto pelo café durante alguns minutos. Havia esquecido de tudo. Até que uma voz o trouxe de volta para a realidade: “Vai esfriar!”. Instintivamente olhou ao redor e observou uma jovem sentada à mesa da frente. Ela havia pronunciado aquelas poucas palavras e rapidamente voltado seus olhos para o jornal que tinha nas mãos. Ele observou-a atônito. Tinha os cabelos tingidos de vermelho um tanto desbotados. Traços leves, pele clara e divertidas sardas pipocavam-lhe as têmperas da face. Tinha uns olhos escuros e profundos, mas um tanto melancólicos. Estava sozinha.
Ele observou-a por alguns instantes. Ela sempre com os olhos no jornal. Ele voltou a mergulhar no café. Provou-o. Já estava frio. As borbulhas haviam acabado, assim como seus pensamentos haviam parado de efervescer. Lembrou da moça. Voltou a olhar para ela e flagrou-a mirando-o também. Aquele olhar era um “Sim”.
Devagar, levantou-se e a passos leves levitou pelo corredor. Seu olfato estava inebriado pelo café, mas pôde sentir um leve odor de jasmim vindo da moça. Jasmim com ferormônios. Aproximou-se dela e, antes que pudesse dizer qualquer palavra, ela convidou-o para sentar. Permaneceram em silêncio.
A garçonete aproximou-se pesadamente com o assoalho rangendo em seus calcanhares. Perguntou se a moça desejava algo para beber. 5 p.m. Ela:“Tea”. Ele: “Tea for two”. Final Feliz.
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