quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Tea for two e um final feliz


Uma das minhas crônicas inacabadas, inspirada em uma música da Nara Leão de mesmo título.


Dez anos de sua vida dedicados àquele trabalho e, de repente, sem emprego. Sem emprego e sem ninguém para dizer “Boa noite!” quando chegasse em casa, ninguém para massagear-lhe os pés e oferecer-lhe sopa quente.

Sentado naquele pub há duas horas, ele pensava. Pensava no que faria dali em diante. Deveria procurar emprego. Pensava se havia pagado a conta de luz e se teria comida em casa. De repente, olhou para o café morno que a gorda garçonete acabara de lhe trazer. Observou a espuma e o modo como ela dançava enquanto ele dissolvia o açúcar. Sentiu o cheiro. Deteu-se nas bolhas de ar. Elas borbulhavam devagar, num ploft surdo. Seus pensamentos também borbulhavam.

Ficou ali absorto pelo café durante alguns minutos. Havia esquecido de tudo. Até que uma voz o trouxe de volta para a realidade: “Vai esfriar!”. Instintivamente olhou ao redor e observou uma jovem sentada à mesa da frente. Ela havia pronunciado aquelas poucas palavras e rapidamente voltado seus olhos para o jornal que tinha nas mãos. Ele observou-a atônito. Tinha os cabelos tingidos de vermelho um tanto desbotados. Traços leves, pele clara e divertidas sardas pipocavam-lhe as têmperas da face. Tinha uns olhos escuros e profundos, mas um tanto melancólicos. Estava sozinha.

Ele observou-a por alguns instantes. Ela sempre com os olhos no jornal. Ele voltou a mergulhar no café. Provou-o. Já estava frio. As borbulhas haviam acabado, assim como seus pensamentos haviam parado de efervescer. Lembrou da moça. Voltou a olhar para ela e flagrou-a mirando-o também. Aquele olhar era um “Sim”.

Devagar, levantou-se e a passos leves levitou pelo corredor. Seu olfato estava inebriado pelo café, mas pôde sentir um leve odor de jasmim vindo da moça. Jasmim com ferormônios. Aproximou-se dela e, antes que pudesse dizer qualquer palavra, ela convidou-o para sentar. Permaneceram em silêncio.

A garçonete aproximou-se pesadamente com o assoalho rangendo em seus calcanhares. Perguntou se a moça desejava algo para beber. 5 p.m. Ela:“Tea”. Ele: “Tea for two”. Final Feliz.

4 comentários:

gabriel disse...

^^

nossa, de que livro você copio isso?

shauihsaui

desculpa, mas é que ficou muito bom.

Se eu visse esse conto solto na internet aí, eu diria que foi retirados daqueles livros "a seleção dos melhores contos".

quem sabe quando você escrever um livro eu não possa ser o revisor(acho q é assim que fala), para eu poder ser o primeiro a ler um livro de futuro sucesso. =P

husaihasuas

so... "tea for two?"

Talitha disse...

o gava te cantando até no comentário, muito bom...hein (y)

aeeeeeee \o

rogerdsa disse...

muicho bom
bjs

gabriel disse...

_|_ pra talifa


to esperando postar outra coisa ainda

^^