sexta-feira, 24 de julho de 2009

A outra orelha de Van Gogh


Cortei as orelhas dos meus amigos, orelhas de elfos e duendes, orelhas de livros.
Cortei a outra orelha de Van Gogh, a orelha da minha mãe e do meu amor.
Cortei minha própria orelha.
Cortei a orelha do mundo.

Coloquei todas elas na gaveta do meu criado-mudo.
De repente, o criado-mudo falou pela primeira vez.
Todas ouviram.


sexta-feira, 3 de julho de 2009


Meu verso é sange. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.


Manuel Bandeira